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Rostos Santacombadenses

... dar voz aos filhos de Santa Comba Dão!

Rostos Santacombadenses

... dar voz aos filhos de Santa Comba Dão!

Mário Ribeiro de Azevedo

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Mário Ribeiro de Azevedo, nasceu na Gestosa, freguesia do Couto do Mosteiro, concelho de Santa Comba Dão, a 22 de Julho de 1912.
Era filho de João Ribeiro de Azevedo e Maria Clara Ribeiro dos Reis.
Casou com Laurinda dos Santos e do enlace nasceu Horácio Ribeiro de Azevedo.
Do lado paterno, era oriundo do concelho de Tondela, e sabemos ser neto de Daniel Ribeiro, o inventor da famosa bilha de segredo de barro preto de Molelos.
Não é fácil falar de Mário Azevedo, mas era uma homem de ideias fixas, pragmático,,respeitador e muito respeitado. Teve as mais variadas actividades profissionais, sendo a de Guarda Rios, a que lhe ocupou mais tempo na vida, era vê-lo ora a pé ou na sua potente moto BSA, a calcorrear lameiros e vales à "caça" de prevaricadores, sem contudo fazer grande "mossa", mas cumprindo e fazendo cumprir as leis inerentes à sua função.
Mas teve outras actividades,que desempenhou com garbo e profissionalismo, desde proprietário agrícola,ferreiro, motorista de pesados,comerciante,agente das máquinas de costura Singer, Mediador de seguros, agente Bosch, Philips, e outros.
No ano de 1950, Mário Azevedo,foi o principal impulsionador da representação da sua terra natal, a Gestosa,no cortejo e inauguração do então Hospital da Misericórdia de Santa Comba Dão, com a participação de um grande Rancho Folclórico ,por si formado e ensaiado, bem como na oferta de todo o mobiliário metálico para uma enfermaria (a dos homens), e outros donativos, um feito, para a época.
Era o chamado homem os "7 ofícios", e algumas das actividades levou-as quase até ao fim de vida.
Mário Ribeiro de Azevedo, era um admirador de bandas de musica, muito embora não tenhamos conhecimento que fosse executante de alguma, já seus familiares o foram, seu tio Joaquim Ribeiro de Azevedo,foi executante e mestre da Banda Filarmónica de Tondela e o próprio filho de Mário, dr. Horácio Ribeiro de Azevedo, executante da Filarmónica Santacombadense durante alguns anos.
Mário Ribeiro de Azevedo, também gostava de futebol e do "seu" Benfica, mas é dos bombeiros por quem tem paixão, talvez por herança de seu pai, João Ribeiro de Azevedo, que embora por pouco tempo também tivesse feito parte do Corpo Activo dos Bombeiros Voluntários de Santa Comba Dão.
Mário Azevedo, terá entrado oficialmente para o referido Corpo de Bombeiros em 1945, muito embora já viesse a colaborar como motorista há alguns anos e em 1953, aparece nos mapas de pessoal, como bombeiro de 3ª classe, em Abril de 1971 é nomeado Ajudante de Comando e em Novembro do mesmo ano, assume o Comando da Corporação, que se encontrava muito debilitada, não só em meios humanos, como materiais
Azevedo, logo "arregaça".as mangas, era assim que ele gostava de andar, camisa branca, manga arregaçada, gravata preta e juntamente com José Alves Branquinho, presidente da direcção e outros colaboradores, fazem uma autentica revolução na Associação.
Logo iniciam peditórios e bailes, para angariação de fundos, abrem escolas de bombeiros, renovam o edifício sede, fazem a aquisição de um geep Lande Roover e uma ambulãncia Citroen, a aquisição de fardamentos, rádios transmissores, e outros.
Em simultâneo, Mário Azevedo, no campo operacional, leva a avante a ideia da montagem de um depósito de 1000 litros de àgua no Ford V8, à concepção de uma moto-bombinha de 60 litros de capacidade, para extinção de fogos florestais , bem como outras renovações e aquisição de equipamento
No aspecto humano,, além da formação adequada e até avançada para a época, promoveu cursos de socorrismo, a constituição de um quadro Auxiliar Feminino, bem como escolas de promoção de bombeiros.
Mas a "menina" dos seus olhos, foi a fanfarra, um dos principais fundadores e impulsionadores.,uma formação relâmpago, cuja ideia nasceu no Congresso dos Bombeiros Portugueses, realizado em Viseu em 28 de Setembro de 1972, e logo em Dezembro tem a sua 1ª actuação,com apenas 10 elementos, no cortejo de oferendas para a os B.V. de Santa Comba Dão. A 1ª deslocação fora foi para o concelho vizinho de Tondela a 16 de Setembro de 1973, dia de Santa Eufêmea e Aniversário da Corporação local. Ainda hoje, bastante activa e maior, a fanfarra, leva o bom nome de Santa Comba, para onde é solicitada.
Muito mais haveria a falar de Mário Azevedo, o espaço não o permite, , apenas vamos concluir, que foi um homem trabalhador, digno, um comandante de bombeiros fora de série, amigo de todos, muito especial dos "seus" bombeiros, que moldou à sua imagem, deixou saudades.
Abandona o comando dos bombeiros, em finais de 1976, orgulhoso com a obra feita e confirmada por todos os Santacombadenses, mas principalmente, por quem com ele trabalhou e conviveu de perto.
Viveu, quase, quase, até aos 100 anos, deixou-nos serenamente no dia 15 de Janeiro de 2012, ano do seu centenário e com os seus bombeiros no coração.
Em carta fechada ficou a foto em titulo, para anuncio do seu falecimento.
As condecorações de que foi alvo, ofereceu-as ao Corpo Activo.
GRANDE HOMEM !!!
Santa Comba Dão, ficou-lhe a dever, ou ainda deve, uma justa homenagem.
Mário Ribeiro de Azevedo, foi um "Rosto Santacombadense, que não necessita de mais atributos, mas que os teve é bem verdade. E muitos!

Dados biográficos Horácio Azevedo/Texto E.Branquinho

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