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Rostos Santacombadenses

... dar voz aos filhos de Santa Comba Dão!

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José Maria de Matos

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José Maria de Matos nasceu em Santa Comba Dão a 9 de Abril de 1899 filho de António Maria de Matos e de Maria da Conceição Matos. Casou com Maria Zília Matos e o casamento gerou dois filhos: António Maria e Francisco José. Faleceu com 82 anos a 22 de Novembro de 1981.
Após completar a 4ª classe, José Maria de Matos aprendeu e exerceu o ofício de carpinteiro, primeiramente no Luso [Mealhada] e depois na terra natal. Nos finais dos anos dez do Séc. XX, ainda não tinha completado os 20 anos de idade, emigrou com o inseparável irmão mais velho [António Maria de Matos Júnior] para o ex-Congo Belga, onde ambos trabalharam arduamente durante cerca de uma década com a finalidade de angariarem fundos para se estabelecerem por conta própria. O sonho aconteceu e fundaram a sociedade Matos & Irmão, Lda com sede em Mushie [a pouco mais de 200Km da capital Kinshasa], empresa que se viria a tornar a maior daquela região. Posteriormente, passaram também a trabalhar na empresa o irmão mais novo, João Maria, e os sobrinhos António Durães, José Durães, Fernando Durães, João Costa e António Pinto, além de outros familiares e amigos. O trabalho aí desenvolvido trouxe a José Maria de Matos, em 1950, a distinção do Rei dos Belgas, Leopoldo III, que o condecorou com a Medalha de Ouro da Ordem do Leão em testemunho e reconhecimento pelos serviços prestados ao país. Idêntica distinção já havia sido concedida em 1936 ao irmão António Maria, quando o mesmo rei o nomeou Cavaleiro da Ordem de Leopoldo II.
Nunca perdendo de vista a terra natal, os dois irmãos nela investiram, nomeadamente em Santa Comba Dão, onde adquiriram no início dos anos trinta a Quinta do Barão que, à data, incluía a Casa dos Arcos, uma outra casa anexa e o terreno onde actualmente se encontra o Jardim Municipal e o Palácio da Justiça.
Nas breves estadias de férias em Santa Comba, José Maria de Matos sempre se interessou e dedicou aos assuntos da comunidade, da qual foi um destacado benemérito. Indicam-se algumas das suas acções:
- doação à Câmara Municipal do terreno entre a Casa dos Arcos e a Igreja, para construção do Jardim Municipal (doação feita em conjunto com o seu querido irmão, antes da morte prematura deste, no início dos anos quarenta)
- doação do terreno no Largo do Balcão para construção do posto de polícia PVT
- venda, a preço simbólico, do terreno para construção do Palácio da Justiça
- cedência, como entrada de capital, do terreno para construção da Escola Secundária (Colégio Academus)
- doação do terreno necessário ao alargamento e traçado em linha recta da estrada para a então Rua do Colégio, que substituiu a Calçada Velha
- doação da sua parte do terreno para instalar a Capela do Sr. da Ponte no local actual
- autorização para a paróquia de Santa Comba utilizar gratuitamente cerca de um hectare do terreno junto à referida Capela para alojar provisoriamente as pedras numeradas retiradas do local primitivo, ocupação que se manteve por cinco anos.
Contudo, a participação de "Zé de Matos" na vida cívica não se ficou por aí. Ainda que não tivesse intervenção política directa durante o antigo regime, não deixou de participar sempre que a “lei” de então o permitia, fazendo parte da Comissão Concelhia do MUD (Movimento de Unidade Democrática) e da candidatura do General Norton de Matos à Presidência da República, em 1949.
Após a sua morte, em 1981, o Município reconheceu-lhe o contributo como benemérito da terra, atribuindo o seu nome a uma rua, precisamente a rua de acesso ao antigo colégio, actual Escola Profissional.

... compilação enviada pelo filho António Maria de Matos

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